quarta-feira, 31 de julho de 2019
Falando sinceramente, não consigo me achar bom. Minha responsabilidade profissional é transformar adolescentes em cidadãos. Gente que nasceu entre 1997 e 2027, para ser específico. Uma geração que ressuscitou o terraplanismo,chama o Olavo de Carvalho de Mestre, acredita no MBL e elegeu o Bolsonaro. Como minha falha poderia ser mais completa?
quinta-feira, 2 de maio de 2019
Estou cansado de estar cansado.
Queria ser uma pessoa disposta, otimista, daquelas que parecem uma pilha de energia infinita.
Mas nãããooo. Parece que nunca estou com energia e disposição suficientes para tudo que preciso fazer. Quanto mais para o que quero. E lá vão a reforma da casa, a pintura da chácara, o novo experimento, o curso online, o curso presencial, a manutenção dos três carros, a janta da cachorra, tudo feito no atropelo, em cima da hora, sem a atenção que cada uma dessas coisas exige.
Queria ser uma pessoa disposta, otimista, daquelas que parecem uma pilha de energia infinita.
Mas nãããooo. Parece que nunca estou com energia e disposição suficientes para tudo que preciso fazer. Quanto mais para o que quero. E lá vão a reforma da casa, a pintura da chácara, o novo experimento, o curso online, o curso presencial, a manutenção dos três carros, a janta da cachorra, tudo feito no atropelo, em cima da hora, sem a atenção que cada uma dessas coisas exige.
domingo, 21 de abril de 2019
Nem sei porque continuo vindo aqui. Deve ser a paz de ver um lugar deserto, e mesmo assim conseguir achar tudo que queria.
Gosto de ter onde registrar algo que estou pensando. Na verdade, não gosto tanto de registrar o que sinto, porque quando vejo a necessidade de registrar alguma coisa, o que estou sentindo é medo de ficar com Alzheimer. Queria deixar pelo menos três impressões:
1- No campo de política federal, resumindo bem, o melhor (mas ainda longe de ótimo) presidente que conseguimos eleger continua preso, idoso, solitário. Uma imagem triste, para um fim triste de uma pessoa que, de algum modo, reduziu o sofrimento de várias outras. Fico me perguntando: Qual a utilidade de se manter alguém como ele dentro de uma cela? Ainda que tenha feito várias coisas erradas, não seria mais conveniente uma prisão domiciliar? Uma vez impedido de concorrer a cargos públicos, uma vez expostas de forma irrefutável as provas de sua condenação, não seria o suficiente para evitar que novos crimes fossem cometidos? Para que fim serve esse grau de privação de dignidade?
Enquanto isso, dizer que o atual presidente continua tão ruim quanto se possa imaginar é confiar demais no poder da imaginação. Presta-se a papéis ridículos, cerca-se de declarações polêmicas e os atos administrativos que poderiam reverter a grave situação em que o País se encontra são deixados de lado, como o brinquedo mais feio de uma criança mimada, que se fascina em brincar seus joguinhos em redes sociais. Quanto à oposição, que deveria ter muito trabalho detendo-se das loucuras de um governante insano, fica de rusgas e picuinhas contra si mesma. Não dá pra entender (na verdade dá, mas o que entendo é que o povo, que nunca teve muito apoio, nunca esteve tão abandonado à própria sorte)!
2- Sri Lanka sofre atentados terroristas, Notre Dame em chamas. Por mais que seja lamentável a perda de um monumento quase milenar, é ainda mais impressionante como um prédio vazio pegando fogo na Europa vale muito mais que vidas de asiáticos, ou africanos, ou de latino-americanos...
3- Para relaxar um pouco, queria lançar a campanha "adote uma lasanha". Em interesse próprio, a primeira é o GM Monza: Um bom carro, com construção monobloco, tração dianteira, suspensão McPherson na frente e eixo de torção atrás (ou seja, nada muito diferente de um carro que possa ser tirado zero de uma concessionária, mas custando uma fração do preço). Produzido entre 1982 e 1996, com componentes sendo reutilizados em vários modelos posteriores, é um carro bem velho, mas que não apresenta problemas com a maioria dos componentes. Sua potência variava entre 75cv (que você não vai achar, já que esse motor de 1,6 litro carburado vendeu muito pouco e só esteve disponível no primeiro ano de produção) e 116 cv (curiosamente, os últimos Monza, com injeção multiponto, e não uma versão esportiva).
A carroceria mais comum é o sedã, vendido como médio na época, mas com tamanho e espaço interno de subcompacto atual. Sinal do tempo em que vivemos, onde excessos são celebrados). O tamanho rende um peso relativamente baixo, aliado a uma potência ainda aceitável pode ser um carro que deixa outros para trás nos semáforos, a menos que seja cometida a loucura de se comprar um carro automático e tente-se andar com ele nos dias de hoje. Mas descanse: Como o câmbio automático deixava o carro muito xoxo, era pouco vendido, e como o conserto do câmbio automático de um monza costuma custar mais que outro carro igual, só veremos versões assim equipadas em exposições estáticas, vendidas a preço de relíquias, não de lasanhas.
Uma coisa legal da época era o respeito à liberdade de escolha que as fábricas tinham: Enquanto atualmente um médio da GM só tem opção de cor, na época, podia-se escolher duas capacidades volumétricas para motor (1,8 ou 2,0), sistemas de admissão (carburado, TBI ou MPFI, não no mesmo ano e dependendo da versão de acabamento), várias versões de acabamento e até duas versões de carroceria (duas ou quatro portas, além do hatch, que é mais raro e só foi oferecida nos primeiros anos).
Na maioria das versões, sua tocada é mais para confortável que para esportiva, com a quinta marcha longa, limitando ruídos e também a velocidade máxima. O consumo é dentro do esperado para carros da época, com potência e nível de equipamentos similares. Ainda assim, há a fama de beberrão. Uma versão 2,0 TBI à gasolina faz entre 8 e 12,8km/l. Um ótimo primeiro antigo, ou mesmo um bom carro que ainda pode ser usado no dia-a-dia.
Imagem retirada da comunidade Monza Clube.
Imagem retirada da comunidade Monza Clube.
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
Dia estranho, chuvoso e frio.
Vinte e dois graus de temperatura máxima em Novembro é frio. Nessa época, um dia inteiro de chuvas também é tão estranho quanto um dia inteiro sem elas. O normal é os termômetros irem lá perto dos quarenta graus e uma tempestade no fim do dia... Em Setembro, enterrei meu pai na tumba da família. Não me deu prazer, alívio, dor, absolutamente nada. Chorei um pouco de raiva quando um primo muito falso discursava. Talvez devesse agradecê-lo, por mostrar que ainda era capaz de sentir algo.
Meu pai nunca me fez mal, mas o modo que ele tratava pessoas que eu gosto não me permite dizer que ele era uma boa pessoa. No máximo, uma pessoa que tentou ser boa para mim, por algum motivo. E, claro, sou grato a ele por isso: Ele não era bom em ser bom. Mas tinha muito talento em magoar pessoas. Talvez eu tenha mais dele do que gostaria de admitir...
E então vieram as eleições: Treze candidatos, dois turnos, muita campanha contra e a favor, e não há dúvidas que o pior possível venceu. Talvez precisemos desse tipo de purga de vez em quando, para lembrarmos como é quando não tomamos decisões com responsabilidade, talvez seja uma prova da força das instituições brasileiras, talvez a incerteza do futuro nos deixe mais pessimistas a seu respeito do que precisaríamos, mas nesse momento, não entendo como em algum instante, os problemas de competência do executivo federal possam ser resolvidos pela pessoa que tem poder para isso. Ao menos, há tempo para ficarmos desesperados em paz...
terça-feira, 4 de setembro de 2018
Ah, gosto...
Agosto é mesmo um mês agourento. Mesmo quando nada dá errado, só a ameaça das coisas que podem dar já me deixaram mais ocupado do que eu gostaria de estar.
Pelo menos, trinta dias não são três anos. E, num raro momento de relaxamento, gostaria de manter salva essa resenha de restaurante (porque, sério, posso precisar lembrar disso!).
Acredito que, ao envelhecer, nosso conceito de dia feliz vai mudando: ao invés de esperar por algo excepcionalmente bom, ficamos felizes com as pequenas tragédias que evitamos: Um dia em que se evita uma doença, quando alguém querido não morre, quando não roubam seu carro. Dentro dessa perspectiva, todos os dias de minha vida ficaram mais felizes, porque neles eu não preciso almoçar no "estação gourmet".
Acho que é só isso. A carne estava fria, a salada sem tempero, a beterraba borrachuda, as batatas fritas (crocantes, pelo menos isso...), sem sal, nem aderência ao sal posto "a posteriori", e o arroz temperado, feito de modo que parece terem jogado um ovo para cozinhar junto. O chá de abacaxi, qualquer dia vai me fazer perguntar a um suicida se ele já tomou. Em caso negativo, vou dizer que ele ainda não tem tantos motivos assim para pôr fim à vida, já que não fez todas as besteiras que podia...
Acredito que, ao envelhecer, nosso conceito de dia feliz vai mudando: ao invés de esperar por algo excepcionalmente bom, ficamos felizes com as pequenas tragédias que evitamos: Um dia em que se evita uma doença, quando alguém querido não morre, quando não roubam seu carro. Dentro dessa perspectiva, todos os dias de minha vida ficaram mais felizes, porque neles eu não preciso almoçar no "estação gourmet".
Acho que é só isso. A carne estava fria, a salada sem tempero, a beterraba borrachuda, as batatas fritas (crocantes, pelo menos isso...), sem sal, nem aderência ao sal posto "a posteriori", e o arroz temperado, feito de modo que parece terem jogado um ovo para cozinhar junto. O chá de abacaxi, qualquer dia vai me fazer perguntar a um suicida se ele já tomou. Em caso negativo, vou dizer que ele ainda não tem tantos motivos assim para pôr fim à vida, já que não fez todas as besteiras que podia...
domingo, 29 de julho de 2018
O que esperar?
O mais legal aqui talvez seja lembrar todos esses códigos HTML. Fico realmente surpreso que tenha gente que venha aqui tentando achar algum conteúdo, coisa que nem eu mesmo acho, depois de tanto tempo. Não vou renegar o que escrevi. Mas tem coisas que eu só entendo porque lembro o que estava pensando na hora... Meu pai conseguiu um diagnóstico. Ou um mapa astral, os termos usados não são muito diferentes, principalmente para quem nasce em Julho. A copa veio e foi. Neymar deitou e rolou na Rússia e absolutamente nada de bom foi retirado dessa experiência. Nem mesmo os feriados nos dias dos jogos. Só para achar algo bom, a abertura, com referências aos diamantes, ao Sputinik, ao expresso do Oriente e sem Hitler e Napoleão congelando foi algo que achei bonito. No campo da política, tudo embolado. Bolsonaro troca mais de vice do que de roupas. Como há a possibilidade dele ganhar, e a possibilidade dele fazer besteira que resulte em afastamento é gigantesca, seria bom ele se decidir rápido. O mesmo vale, em proporções menores (menos chance de ganhar, menos chances de afastamento) para Ciro. Marina desponta como uma segunda colocada improvável, mas também é bom saber de seu vice. Vamos lembrar que na eleição passada ela deveria ser vice na chapa, o que significa que perdemos a chance de votar direto no vice pela primeira vez em 54 anos... Em se tratando de política, ficou engraçado o MBL, cujos perfis de fake news foram desativados pelo facebook, reclamando que foram alvo de uma campanha difamatória. Fizeram protestos em dia de semana, pediram ajuda para seus camaradas do judiciário, mas, até o presente momento, o Facebook não foi obrigado a reativar os perfis. A rede social está até mais interessante assim, embora eu tenha a opinião que é melhor ouvir as besteiras que censurar as bestas. O que eles farão agora? estariam dispostos a fazer sua própria rede social, só com fake news (e prostitutas, para lembrar do Bender)? Irão ao Twitter? E se vierem para o Blogger, que poderemos fazer? Bom, como medida de emergência, ao ver um MBLista soltando uma mentira (e é fácil diagnosticar isso: Eles respiram e mentem com quase a mesma frequência), se for nesse blog, como medida de emergência, você pode clicar na ambulância abaixo que ela te leva para um lugar seguro: /
domingo, 20 de maio de 2018
O que a gente faz depois, Pitty?
Dizem que não somos o que achamos que somos. Nem o que os outros acham da gente, nem mesmo nossa origem, passado e planos. Tudo isso é irrelevante diante de um fato: O que fazemos? Obviamente, uma pessoa pode considerar-se boa, mas, se fizer o mal de forma costumeira, será má. Há lógica e coerência em julgar uma pessoa assim: Alguém pode ser forçado a agir de formas que não queria, mas, na maior parte do tempo, a maior parte das pessoas tem opções de ação. Esse poder, embora pequeno, já é suficiente para medir o caráter de alguém. Nossas limitações também são claras: Vigiados, representamos papéis: O marido, o filho, o empregado, o amigo, o cliente, o patrão, o senhorio, o locador... Temos mais poder quando estamos à sós. Odiar companhia por isso pode ser um traço megalômano, ou só cansaço de representar papéis, ou só ódio, mesmo. Pessoas são difíceis. De entender, de gostar, de trabalhar com elas, de cobrar aluguel... Para mim, a solidão sempre foi um bem precioso. Não saberia o que fazer se os blogs voltassem à moda agora. Provavelmente abandonaria novamente e perderia a chance de registrar-me para conferência futura. De fato, o que me preocupa é o quão pouco só posso ficar, embora sinta-me bastante solitário. Sempre vigiado, impelido à representação de algum papel, sinto falta de saber o que eu mesmo faria sem as amarras. Então, por alguns segundos, na chuva, sem que ninguém me conhecesse, gritei de desespero. Um grito abafado, mas ainda assim eu ouvi. E não sei o que eu queria dizer com isso. Seria a constatação de que existem mesmo drogas que impedem de pensar em suicídio. Por que entrar em desespero por drogas que IMPEDEM DE PENSAR em suicídio? Afinal, se elas IMPEDEM DE PENSAR em suicídio, elas são boas, certo? Não deve ser isso. Tlavez a constatação de que continuo pensando nessas coisas mesmo sendo adulto. Achei que não pensaria em nada além de emprego e como sustentar a família, e é como se estivesse com defeito perceber que algo além de uma avaliação de desempenho ruim pode me afligir. E se ficar aflito for um defeito, como me desesperar pode consertar? como eu faria para não passar tempo inútil pensando em coisas improdutivas? Talvez, afinal, essa seja a prova de que sou humano. Estou começando, afinal, a gostar muito pouco das coisas que faço... Seria o Depósito que me deixou assim? Se for, como fazer, se todas as opções são piores, e ele próprio é inominável? Se for isso, talvez, a única solução é não ficar só...
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