Lista de coisas que eu fazia e perderam a graça por conta de política:
Preocupar-me com a saúde;
Usar roupa amarela;
Beber leite;
domingo, 5 de julho de 2020
terça-feira, 14 de abril de 2020
A cidade de Ashtray, no Estado de Wisconsin poderia entrar para os noticiários por vários motivos em 2018. Um incêndio havia acabado de destruir uma área com mais de 60km² de madeira de reflorestamento, levando junto as expectativas de transformar as antigas instalações da ferrovia em algo lucrativo. A cidade também não ficou famosa, mesmo tendo sido esquecida na última contagem de municípios, o fato de ter perdido mais de 50% de sua população desde 2013, o fechamento de indústrias e a explosão da violência em um período relativamente próspero para o resto do país também não parecia chamar a atenção das pessoas. 138.446 pessoas viviam na cidade às 20:30 horas do dia 13 de junho de 2018. Era uma noite de lua nova, com céu claro, apesar do clima normalmente frio, os últimos raios de Sol ainda insistiam em contemplar o trabalho feito em deixar a cidade agradavelmente aquecida.
Joesnne McArty, uma enfermeira de 25 anos, divorciada, com uma filha, duas prestações da hipoteca atrasadas sentia-se meio ridícula em seu velho maiô de natação. Tentava conformar-se com o fato de poucas pessoas ainda caberem nas roupas que usavam no ensino médio. A lembrança de ser chamada de “Josie Gorda” não a fez sentir-se melhor. Mas ela era boa em natação. Sentia-se bem na piscina, e, após a audiência de conciliação e dois plantões exaustivos, precisava fazer algo por si mesma. Há um motivo para que os habitantes de Ashtray saibam de todos esses detalhes. E é estranho que o resto do mundo não.
Joesnne acabara de sair da piscina coberta do clube parcialmente vazio, quando um assaltante invadiu o local, em intensa troca de tiros com policiais. Um helicóptero havia sido acionado. O meliante tinha uma submetralhadora Uzzi e, por algum motivo, uma Barret REC7. Não sobrou uma única bala em seus pentes. Os policiais esvaziaram os pentes de suas pistolas 9mm, mas, tanto policiais quanto assaltante morreram com a queda do helicóptero sobre a piscina. A enfermeira nada sofreu. Estudos médicos posteriores revelaram que a estrutura molecular de sua pele tornava-se extremamente rígida caso ela estivesse nua ou usando roupas que considerava vergonhosas, mas retornava ao normal quando ela não sentia esse desconforto, embora a causa desse fenômeno permaneça desconhecida. Joesnne foi esfaqueada na saída de um caixa eletrônico em 2019. O nome e destino de sua filha permanecem incógnitos.
A história de Joesnne repercutiu pela cidade. Atualmente, há um temor especial com relação a criminosos que abordem suas vítimas usando trajes de banho, uniformes de “lucha libre”, ou fantasias das mais variadas. Alguns fazem isso para que acreditem que são à prova de balas. Outros, mais perigosos, agem como se eles mesmos se considerassem à prova de balas. A polícia tenta acalmar a população, demonstrando que a maioria não é, mas falhas de pontaria só deixaram as pessoas mais apavoradas.
Às 13:42 de 04 de Fevereiro de 2020 aconteceu novamente. Harold D. S. Blackman, um ex-combatente da guerra do Golfo faleceu vítima de um ataque cardíaco. Sua herança, que consistia em uma pequena loja de bugingangas, um Cadillac Eldorado 1997 e três cadelas que ele alegava serem de raça pura, embora não especificasse qual, além de um enorme estoque de garrafas de uísque e comprimidos antipsicóticos, foram distribuídos de forma semi-igualitária entre seu irmão, um funcionário da loja e o abrigo de animais local antes de sua cremação.
Ao baixar-se a porta do forno, seu caixão, roupas, e uma história em quadrinhos alegadamente autografada por Mark Hamill foram vistos pela última vez. Harold, entretanto, seria avistado por diversas testemunhas correndo nu pelas ruas da cidade entre 17:27 e 19:02 do dia 06 de Fevereiro, fazendo o caminho entre as congelantes margens do Lago Verde, onde suas cinzas foram deixadas, e sua loja. Um cadáver com suas feições e impressões digitais deu entrada como indigente, vítima de quatro balas perdidas às 22:00 do mesmo dia. Seus órgãos foram doados e o restante enterrado em vala comum. Segundo seu irmão, de uma vez por todas.
Um vírus potencialmente letal varre o território americano nesse momento. As fronteiras intermunicipais estão vigiadas. Embora não exista nenhum caso da infecção na cidade, é impossível entrar ou sair da cidade sem uma comprovação documental da necessidade do deslocamento. O prefeito impôs toque de recolher, mas não foi obedecido.
Joesnne McArty, uma enfermeira de 25 anos, divorciada, com uma filha, duas prestações da hipoteca atrasadas sentia-se meio ridícula em seu velho maiô de natação. Tentava conformar-se com o fato de poucas pessoas ainda caberem nas roupas que usavam no ensino médio. A lembrança de ser chamada de “Josie Gorda” não a fez sentir-se melhor. Mas ela era boa em natação. Sentia-se bem na piscina, e, após a audiência de conciliação e dois plantões exaustivos, precisava fazer algo por si mesma. Há um motivo para que os habitantes de Ashtray saibam de todos esses detalhes. E é estranho que o resto do mundo não.
Joesnne acabara de sair da piscina coberta do clube parcialmente vazio, quando um assaltante invadiu o local, em intensa troca de tiros com policiais. Um helicóptero havia sido acionado. O meliante tinha uma submetralhadora Uzzi e, por algum motivo, uma Barret REC7. Não sobrou uma única bala em seus pentes. Os policiais esvaziaram os pentes de suas pistolas 9mm, mas, tanto policiais quanto assaltante morreram com a queda do helicóptero sobre a piscina. A enfermeira nada sofreu. Estudos médicos posteriores revelaram que a estrutura molecular de sua pele tornava-se extremamente rígida caso ela estivesse nua ou usando roupas que considerava vergonhosas, mas retornava ao normal quando ela não sentia esse desconforto, embora a causa desse fenômeno permaneça desconhecida. Joesnne foi esfaqueada na saída de um caixa eletrônico em 2019. O nome e destino de sua filha permanecem incógnitos.
A história de Joesnne repercutiu pela cidade. Atualmente, há um temor especial com relação a criminosos que abordem suas vítimas usando trajes de banho, uniformes de “lucha libre”, ou fantasias das mais variadas. Alguns fazem isso para que acreditem que são à prova de balas. Outros, mais perigosos, agem como se eles mesmos se considerassem à prova de balas. A polícia tenta acalmar a população, demonstrando que a maioria não é, mas falhas de pontaria só deixaram as pessoas mais apavoradas.
Às 13:42 de 04 de Fevereiro de 2020 aconteceu novamente. Harold D. S. Blackman, um ex-combatente da guerra do Golfo faleceu vítima de um ataque cardíaco. Sua herança, que consistia em uma pequena loja de bugingangas, um Cadillac Eldorado 1997 e três cadelas que ele alegava serem de raça pura, embora não especificasse qual, além de um enorme estoque de garrafas de uísque e comprimidos antipsicóticos, foram distribuídos de forma semi-igualitária entre seu irmão, um funcionário da loja e o abrigo de animais local antes de sua cremação.
Ao baixar-se a porta do forno, seu caixão, roupas, e uma história em quadrinhos alegadamente autografada por Mark Hamill foram vistos pela última vez. Harold, entretanto, seria avistado por diversas testemunhas correndo nu pelas ruas da cidade entre 17:27 e 19:02 do dia 06 de Fevereiro, fazendo o caminho entre as congelantes margens do Lago Verde, onde suas cinzas foram deixadas, e sua loja. Um cadáver com suas feições e impressões digitais deu entrada como indigente, vítima de quatro balas perdidas às 22:00 do mesmo dia. Seus órgãos foram doados e o restante enterrado em vala comum. Segundo seu irmão, de uma vez por todas.
Um vírus potencialmente letal varre o território americano nesse momento. As fronteiras intermunicipais estão vigiadas. Embora não exista nenhum caso da infecção na cidade, é impossível entrar ou sair da cidade sem uma comprovação documental da necessidade do deslocamento. O prefeito impôs toque de recolher, mas não foi obedecido.
terça-feira, 10 de março de 2020
Dando uma pausa em mais um ano louco, no qual não consigo espaço na agenda nem para respirar, mas gostaria de deixar redistrado:
Nosso atual presidente não se encontra em boa situação: Povo descontente, economia em frangalhos, escândalos de corrupção mal abafados por escândalos ainda maiores. Dentro desse contexto, talvez o maior revez seja a acusação de que ele detém provas de fraude na eleição que o alçou ao poder.
O que ele fará? Omitirá as provas, sendo acusado de crime de responsabilidade? Ou as apresentará, convocando novas eleições, que provavelmente o tirariam do poder?
Impressionante, também, ver quem fez essa acusação bombástica, espécie de cheque-mate na governabilidade: Não foi nenhum gênio estrategista da oposição, mas apenas e tão somente... Ele próprio!
O Brasil sempre foi mais difícil de acompanhar que novela coreana sem legendas e com imagem zoada, mas tem se superado todo dia ultimamente!
Nosso atual presidente não se encontra em boa situação: Povo descontente, economia em frangalhos, escândalos de corrupção mal abafados por escândalos ainda maiores. Dentro desse contexto, talvez o maior revez seja a acusação de que ele detém provas de fraude na eleição que o alçou ao poder.
O que ele fará? Omitirá as provas, sendo acusado de crime de responsabilidade? Ou as apresentará, convocando novas eleições, que provavelmente o tirariam do poder?
Impressionante, também, ver quem fez essa acusação bombástica, espécie de cheque-mate na governabilidade: Não foi nenhum gênio estrategista da oposição, mas apenas e tão somente... Ele próprio!
O Brasil sempre foi mais difícil de acompanhar que novela coreana sem legendas e com imagem zoada, mas tem se superado todo dia ultimamente!
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
E então...
Minha pergunta foi respondida. Na tarde de ontem, uma aluna morreu. Isso é um evento tristíssimo, uma pessoa que eu deveria conhecer melhor do que conhecia, e que, simplesmente, não consegui nem perceber que poderia precisar de ajuda.
A forma como morreu deixa as coisas ainda mais tristes: Asfixiada pelo namorado, que não queria deixá-la livre para terminar o namoro. O pior é que o assassino também é meu aluno.
Ter um aluno feminicida é a prova absoluta de que simplesmente minha experiência nesse mundo não está funcionando. Falhei como professor. Como ser humano. Como ente vivo. A sensação de fracasso consegue ser maior que a tristeza.
Ter um aluno feminicida é a prova absoluta de que simplesmente minha experiência nesse mundo não está funcionando. Falhei como professor. Como ser humano. Como ente vivo. A sensação de fracasso consegue ser maior que a tristeza.
quarta-feira, 31 de julho de 2019
Falando sinceramente, não consigo me achar bom. Minha responsabilidade profissional é transformar adolescentes em cidadãos. Gente que nasceu entre 1997 e 2027, para ser específico. Uma geração que ressuscitou o terraplanismo,chama o Olavo de Carvalho de Mestre, acredita no MBL e elegeu o Bolsonaro. Como minha falha poderia ser mais completa?
quinta-feira, 2 de maio de 2019
Estou cansado de estar cansado.
Queria ser uma pessoa disposta, otimista, daquelas que parecem uma pilha de energia infinita.
Mas nãããooo. Parece que nunca estou com energia e disposição suficientes para tudo que preciso fazer. Quanto mais para o que quero. E lá vão a reforma da casa, a pintura da chácara, o novo experimento, o curso online, o curso presencial, a manutenção dos três carros, a janta da cachorra, tudo feito no atropelo, em cima da hora, sem a atenção que cada uma dessas coisas exige.
Queria ser uma pessoa disposta, otimista, daquelas que parecem uma pilha de energia infinita.
Mas nãããooo. Parece que nunca estou com energia e disposição suficientes para tudo que preciso fazer. Quanto mais para o que quero. E lá vão a reforma da casa, a pintura da chácara, o novo experimento, o curso online, o curso presencial, a manutenção dos três carros, a janta da cachorra, tudo feito no atropelo, em cima da hora, sem a atenção que cada uma dessas coisas exige.
domingo, 21 de abril de 2019
Nem sei porque continuo vindo aqui. Deve ser a paz de ver um lugar deserto, e mesmo assim conseguir achar tudo que queria.
Gosto de ter onde registrar algo que estou pensando. Na verdade, não gosto tanto de registrar o que sinto, porque quando vejo a necessidade de registrar alguma coisa, o que estou sentindo é medo de ficar com Alzheimer. Queria deixar pelo menos três impressões:
1- No campo de política federal, resumindo bem, o melhor (mas ainda longe de ótimo) presidente que conseguimos eleger continua preso, idoso, solitário. Uma imagem triste, para um fim triste de uma pessoa que, de algum modo, reduziu o sofrimento de várias outras. Fico me perguntando: Qual a utilidade de se manter alguém como ele dentro de uma cela? Ainda que tenha feito várias coisas erradas, não seria mais conveniente uma prisão domiciliar? Uma vez impedido de concorrer a cargos públicos, uma vez expostas de forma irrefutável as provas de sua condenação, não seria o suficiente para evitar que novos crimes fossem cometidos? Para que fim serve esse grau de privação de dignidade?
Enquanto isso, dizer que o atual presidente continua tão ruim quanto se possa imaginar é confiar demais no poder da imaginação. Presta-se a papéis ridículos, cerca-se de declarações polêmicas e os atos administrativos que poderiam reverter a grave situação em que o País se encontra são deixados de lado, como o brinquedo mais feio de uma criança mimada, que se fascina em brincar seus joguinhos em redes sociais. Quanto à oposição, que deveria ter muito trabalho detendo-se das loucuras de um governante insano, fica de rusgas e picuinhas contra si mesma. Não dá pra entender (na verdade dá, mas o que entendo é que o povo, que nunca teve muito apoio, nunca esteve tão abandonado à própria sorte)!
2- Sri Lanka sofre atentados terroristas, Notre Dame em chamas. Por mais que seja lamentável a perda de um monumento quase milenar, é ainda mais impressionante como um prédio vazio pegando fogo na Europa vale muito mais que vidas de asiáticos, ou africanos, ou de latino-americanos...
3- Para relaxar um pouco, queria lançar a campanha "adote uma lasanha". Em interesse próprio, a primeira é o GM Monza: Um bom carro, com construção monobloco, tração dianteira, suspensão McPherson na frente e eixo de torção atrás (ou seja, nada muito diferente de um carro que possa ser tirado zero de uma concessionária, mas custando uma fração do preço). Produzido entre 1982 e 1996, com componentes sendo reutilizados em vários modelos posteriores, é um carro bem velho, mas que não apresenta problemas com a maioria dos componentes. Sua potência variava entre 75cv (que você não vai achar, já que esse motor de 1,6 litro carburado vendeu muito pouco e só esteve disponível no primeiro ano de produção) e 116 cv (curiosamente, os últimos Monza, com injeção multiponto, e não uma versão esportiva).
A carroceria mais comum é o sedã, vendido como médio na época, mas com tamanho e espaço interno de subcompacto atual. Sinal do tempo em que vivemos, onde excessos são celebrados). O tamanho rende um peso relativamente baixo, aliado a uma potência ainda aceitável pode ser um carro que deixa outros para trás nos semáforos, a menos que seja cometida a loucura de se comprar um carro automático e tente-se andar com ele nos dias de hoje. Mas descanse: Como o câmbio automático deixava o carro muito xoxo, era pouco vendido, e como o conserto do câmbio automático de um monza costuma custar mais que outro carro igual, só veremos versões assim equipadas em exposições estáticas, vendidas a preço de relíquias, não de lasanhas.
Uma coisa legal da época era o respeito à liberdade de escolha que as fábricas tinham: Enquanto atualmente um médio da GM só tem opção de cor, na época, podia-se escolher duas capacidades volumétricas para motor (1,8 ou 2,0), sistemas de admissão (carburado, TBI ou MPFI, não no mesmo ano e dependendo da versão de acabamento), várias versões de acabamento e até duas versões de carroceria (duas ou quatro portas, além do hatch, que é mais raro e só foi oferecida nos primeiros anos).
Na maioria das versões, sua tocada é mais para confortável que para esportiva, com a quinta marcha longa, limitando ruídos e também a velocidade máxima. O consumo é dentro do esperado para carros da época, com potência e nível de equipamentos similares. Ainda assim, há a fama de beberrão. Uma versão 2,0 TBI à gasolina faz entre 8 e 12,8km/l. Um ótimo primeiro antigo, ou mesmo um bom carro que ainda pode ser usado no dia-a-dia.
Imagem retirada da comunidade Monza Clube.
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